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Tudo o que você precisa saber sobre a Ruptura de Ligamento Cruzado Cranial (RLCC) em pets

  • Foto do escritor: Pet integra
    Pet integra
  • há 21 horas
  • 4 min de leitura

Se o seu cão começou a mancar repentinamente de uma das patinhas de trás, dobrou o joelho de um jeito estranho ou passou a sentar de lado para poupar a perna, atenção!!! Esses são os sinais clássicos de uma das lesões ortopédicas mais comuns e dolorosas na rotina veterinária,  a Ruptura do Ligamento Cruzado Cranial (RLCC).


O que é a Ruptura do Ligamento Cruzado Cranial?

O joelho dos pets é uma articulação complexa que recebe muita carga. O Ligamento Cruzado Cranial funciona como uma "trava" de segurança, e a principal função dele é estabilizar o joelho, impedindo que a tíbia, que é o osso da canela, deslize para a frente em relação ao fêmur, o osso da coxa.


Quando esse ligamento se rompe, de forma parcial ou total, o joelho perde a estabilidade. Cada vez que o pet tenta dar um passo e apoiar o peso do corpo no chão, a articulação se desloca. Esse movimento gera um atrito ósseo inadequado, causando muita dor, inflamação e, se não tratado, acelera o processo de artrose.


Como saber se meu pet rompeu o ligamento?


Os cães costumam ser muito fortes para esconder o desconforto, mas a instabilidade no joelho deixa pistas físicas e comportamentais claras.


  • Claudicação repentina

O pet começa a mancar de uma hora para outra de uma das patas traseiras.


  • Andar em três patas

Em casos de ruptura total, o animal pode andar com a patinha completamente suspensa, sem coragem de encostá-la no chão.


  • Postura ao sentar

Ao invés de sentar com as patinhas dobradas embaixo do corpo, o pet senta de lado e estica a perna afetada para fora, evitando flexionar o joelho dolorido.


  • Rigidez e estalos

Dificuldade para levantar após o repouso e, às vezes, um som de "clique" ou estalo quando ele se movimenta.


  • Atrofia muscular

Com o tempo, por deixar de usar a perna machucada, a musculatura da coxa começa a afinar, ou seja, perde massa muscular.


Raças mais acometidas: Existe predisposição?

Qualquer cão ou gato pode romper o ligamento cruzado, mas a anatomia, o peso e o nível de atividade fazem com que algumas raças apareçam com muito mais frequência na nossa pista de reabilitação.


Diferente de nós humanos, que costumamos romper o ligamento em traumas esportivos bruscos, nos cães a ruptura geralmente acontece por um processo degenerativo crônico do ligamento, que vai se desgastando aos poucos.


As raças grandes e gigantes são as mais afetadas devido ao peso e impacto:


  • Rottweiler

  • Golden Retriever e Labrador

  • Pitbull

  • Pastor Alemão

  • Cane Corso e Mastiff


E os pequenos? Cães de porte menor, como o Poodle e o Yorkshire, também entram na lista, muitas vezes associando a ruptura do ligamento a outro problema de nascença comum neles: a luxação de patela. O sobrepeso e a obesidade são fatores de risco graves para todos os tamanhos.


Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é essencialmente clínico e realizado pelo médico veterinário ortopedista através de testes manuais específicos, como o teste de gaveta, teste de compressão tibial, exames de imagem, exames mais avançados, como a tomografia ou ressonância.


Tratamento: Cirúrgico vs. Conservador

A escolha do tratamento depende do porte do animal, da idade, do estilo de vida, se a ruptura é parcial ou total e se há outras lesões no joelho.


1. Tratamento Cirúrgico (O mais indicado na maioria dos casos)


Para cães de médio e grande porte, ou animais muito ativos, a cirurgia costuma ser a primeira escolha para devolver a estabilidade mecânica ao joelho. As técnicas modernas não tentam "dar pontos" no ligamento rompido, mas sim mudar a anatomia do osso para que o ligamento não faça mais falta.


TPLO / TTA


São técnicas cirúrgicas que cortam e reposicionam a parte superior da tíbia, fixando-a com uma placa de titânio. Isso muda o ângulo do joelho, fazendo com que a própria musculatura da coxa estabilize a articulação quando o cão pisa, anulando a necessidade do ligamento cruzado.


2. Tratamento Conservativo (Sem cirurgia)


Pode ser considerado em cães de porte muito pequeno (geralmente abaixo de 5kg a 7kg), pets que possuem contraindicações médicas severas para anestesia/cirurgia, ou em casos muito específicos de rupturas parciais bem iniciais.

Consiste no repouso rigoroso, controle restrito de peso, uso de medicações e, obrigatoriamente, suporte intensivo de reabilitação.


Manejo e Reabilitação: O papel da Fisioterapia e Medicina Integrativa


Independentemente de o seu pet passar por cirurgia ou seguir o tratamento conservador, a fisioterapia veterinária e a medicina integrativa são pilares obrigatórios para o sucesso da recuperação. O joelho operado precisa recuperar os movimentos, e o joelho não operado precisa de proteção, já que o pet sobrecarrega a outra perna para compensar.


O manejo terapêutico envolve:


Controle imediato da dor e inflamação: Uso de recursos como laserterapia, magnetoterapia e crioterapia nos primeiros dias pós-cirúrgicos ou na crise de dor.


Ganho de massa muscular: Exercícios terapêuticos guiados e controlados na pista de fisioterapia para fortalecer os músculos, quadríceps e isquiotibiais, que agora serão os novos protetores desse joelho.


Preservação articular: Terapias que ajudam a lubrificar a articulação, prevenindo e retardando o avanço da artrose crônica.



O tutor precisa bloquear o acesso a escadas, cobrir pisos escorregadios com tapetes emborrachados, e usar rampas para evitar que o pet pule de sofás e camas durante a fase de cicatrização.


Ver o pet com dor no joelho assusta, mas com o diagnóstico rápido e o suporte de uma equipe de reabilitação focada no carinho e na ciência, seu companheiro tem tudo para voltar a correr, passear e ter uma vida ativa e feliz! 




 
 
 

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